quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A dor da certeza

Infelizmente, as notícias não são boas.
Volto aqui sentindo-me na obrigação de informar à todos que tanto me deram força que as coisas não saíram como desejávamos.
Mas foi como Deus desejou. E como Ele sabe o que é melhor pra gente, o que tenho a fazer é agradecer os poucos dias de felicidade e o aprendizado que vou levar comigo pelo resto da vida.
Aprendi que não tenho o controle de tudo, que nem tudo pode "ser resolvido" e que a lei da natureza é perfeita.
Desde sábado tenho sentido fortes cólicas e o sangramento começou a aumentar e a vir num tom mais vermelho intenso. Igual a uma menstruação.
Ao mesmo tempo que tinha a consciência de que estava começando um processo abortivo, me apegava aos depoimentos de muitas amigas, parentes e até desconhecidas que conversaram comigo esses dias, dizendo que também tiveram sangramentos no início da gestação e que depois tudo deu certo.
Ontem passei o dia com um mau pressentimento e achei que estava conseguindo esconder isso do Bruno e da Ana Sofia. Ela, de vez em quando, sem dizer nada, vinha até mim, olhava nos meus olhos e me dava um beijo. Ele, disse que estava percebendo minha tensão e tentava acalmar-me.
Deitei para dormir e o sono não vinha. Até que uma hora o Bruno acordou, me abraçou e disse tudo ia ficar bem, que a gente ia passar por isso juntos. Desabei a chorar e falei pra ele que eu sabia que não estava tudo bem.
Quando conseguia dormir, acordava com a Ana Sofia me chamando, com um sono muito agitado.
Até que deu a hora de levantar e fui ajeitar as coisas para a volta às aulas da pequena. Merendinha e mochilas arrumadas fui acordá-la. Já sabia que não ia ser fácil. Todo retorno sempre tem muito choro, preguiça, etc.
A deixamos na escola e fomos ao ultrassom. Os dez minutos que esperei para ser atendida pareciam horas.
Quando finalmente deitei na maca, ainda restava uma pontinha de esperança de ouvir do médico que tudo estava bem e de ouvir um coraçãozinho guerreiro batendo dentro de mim.
Mas dois minutos depois de tentar entender aquela imagem, ouço o médico ditando para a assistente que não havia batimento cardíaco.
O fim deste sonho se transformou em lágrimas.
O médico disse que poderia haver algum problema com a formação do embrião e que a natureza, sábia, se encarrega de interromper a gestação. Mas até isso entrar na cabeça de uma mãe...
Enfim, chorei muito e fui para o consultório de uma médica que parecia um anjo na terra. Voz doce, compreensiva, muito carinhosa. Explicou tudo para mim e para o Bruno. Deu orientações, disse que já passou pelo mesmo problema e conseguiu me acalmar um pouco.
Quando ela foi me examinar, percebeu a glândula da tireoide um pouco aumentada e pediu uns exames. Disse que se o hormônio estiver alterado pode ter sido uma das razões do acontecido.
Vou me apegar nisso porque preciso de uma explicação lógica para tudo. Esse negócio de natureza é confortante, mas preciso saber a razão das coisas.
O próximo passo agora é esperar que o corpo expulse (não gosto desta palavra, mas não estou achando outra) sozinho. A previsão são de muitas cólicas e de um sangramento intenso. Caso isso não ocorra terei de me internar para fazer curetagem, o que não é nada bom, pois é um procedimento invasivo e que pode prejudicar uma futura gravidez.
Pra quem não queria ver sangue de jeito nenhum... agora a torcida é para que ele apareça o mais rápido possível.
Depois dessa avalanche de informações começou a parte difícil: contar para as pessoas. Liguei somente para minha mãe e para minha sogra. Chorei de novo com elas que sempre são meus alicerces. Minha mãe está inconsolada, tadinha. Se eu pudesse poupá-la disso com certeza o faria, mas somos amigas na alegria e na tristeza.
Tirei o resto do dia para mim. Dormi um pouco e acordei com uma dorzinha de cabeça bem chata. Agora estou preparando-me para contar para Ana Sofia. Vou tentar inventar uma história e tentar não chorar na frente dela (o que vai ser bem difícil). Espero que ela não sofra, que entenda da melhor forma.
O que me alivia um pouco é saber que nem houve tempo de se formar um coraçãozinho. Que ele não bateu por um tempo e parou. Que não era o nosso Bruninho ainda, era somente uma sementinha que não vingou. Parece loucura, mas tenho que fantasiar um pouco para tentar aceitar.

Acabei de ler uma coisa que queria compartilhar:
"Não esqueço de quem me estende a mão. Minha memória não é curta. Apesar de eu esquecer nomes, jamais deixo passar batido o que fazem por mim. Porque aprendi que ajudar o outro é bonito. Mas ser grato é mais bonito ainda."
Não sei quem é o autor da frase mas vou "roubá-la" porque se encaixa perfeitamente pelo que eu estou sentindo.
Gostaria de agradecer cada palavra, cada oração, cada sentimento bom que recebi. Tanto quando eu soube da gravidez tanto agora nesse momento difícil.
O meu muito obrigada à todos.

6 comentários:

  1. Vi, que Deus conforte o seu coração. Imagino sua dor, êh batido porem êh verdadeiro, td tem seu tempo, Deus jamais te abandonara. Meus mais profundos sentimentos amiga... Valeria Reis

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  2. Vi,no momento só vc sabe que dor é essa.Não adianta falar que sei, porque não sei o que vc tá sentindo.Todas nós estamos torcendo para vc.FÉ em DEUS e FORÇA nesse CORAÇÃO de MÃE de ANA SOFIA.Beijos...Tia VÂNIA

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  3. Vi, já passei por um aborto e sei exatamente o que está sentindo. Só de ler o seu depoimento relembro tudo o que passei naquela época. Mas, prima, sei que não é fácil, que a gente só quer chorar, mas tenha forças. Eu cheguei a fazer a curetagem, e mesmo sendo muito invasiva, muitos médicos dizem que pode até facilitar uma nova gravidez, pois é feita uma limpeza no útero. Tenha Fé em Deus e acredite, na hora certa você terá o seu Bruninho. Cuide de você agora para que logo logo esteja 100% e tente um novo bebê. Abraços! Renata

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    1. Prima, só quem passa mesmo para saber o que a gente sente. A sensação de impotência é muito grande e muito ruim. Mas já estou melhor. Graças a Deus tenho a Ana sofia para ocupar todo meu tempo e não ficar remoendo sentimentos tristes. Muito obrigada pela força. Bjo

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