Toda véspera de aniversário da Ana Sofia eu fico emotiva. E este ano não está diferente.
Pela terceira vez eu começo a relembrar daquela noite chuvosa que minha bolsa estourou perto da meia noite e eu, sem saber direito se era “aquela” a hora tão esperada, liguei pra médica e ela disse que minha filha ia nascer em breve.
Um pouco insegura por não estar com o Bruno por perto, mas ao mesmo tempo muito segura por ter mãe, irmão, tia, padrasto, sogra, sogro e cunhado que fizeram o momento ser mais tranqüilo. Pelo menos até começarem as contrações.
Porque quando elas chegaram... Ninguém mais pôde ajudar. Só Deus!
Teimando para ter um parto normal, sofri durante seis horas. E a cada vez que a médica entrava no quarto e dizia que eu ainda só tinha um centímetro de dilatação eu me desesperava. Pra quem não entende muito do assunto, para um bebê nascer é preciso chegar aos dez centímetros de dilatação. E eu lá, com meu mísero um centímetro.
Foi então que às seis da manhã e no meu mais alto grau de suportabilidade de dor, decidi pela cesariana. Chegamos à conclusão, eu a médica, que minha filha já estava há muito tempo sem líquido e eu com uma dor que não desejo nem para o pior inimigo. Chorando e desapontada, só queria o Bruno para ajudar a decidir o que fazer. E ele correndo na estrada, tentando chegar a tempo. Mas infelizmente não deu para esperar.
Quando a enfermeira pediu para eu separar a roupinha que o neném voltaria da sala de parto, caiu a ficha.
Por mais que eu tenha passado a gravidez inteira comprando roupinhas, fraldas, banheira, carrinho, planejando o quarto e fazendo ultrassons, foi naquele momento que eu percebi que aquele macacãozinho amarelo iria voltar com um recheio que a partir daquele momento estaria ligado à mim pelo resto da vida.
E que recheio!
Meia hora depois de decidir pela cesárea eu já estava com minha filha nos braços... MINHA FILHA! MINHA AMADA FILHA ANA SOFIA!
Voltei para o quarto e estavam as vovós esperando de braços abertos aquele serzinho que já era amado desde quando ainda era só um projeto. Um projeto que, por sinal, foi muito cobrado da gente. E nós o concretizamos com muito sucesso!
Daí em diante era só alegria! Quer dizer... sem contar as noites mal dormidas, o peito todo rachado e uma dor horrível na hora de amamentar nos primeiros dias, o corte da cesareana, aquela barriga estranha... tirando o que estava ruim, o resto era só alegria!
Quantas vezes peguei-me olhando para ela fixamente e perguntando se eu merecia aquela bolotinha tão linda, tão cheia de saúde, tão calminha.
A cada dia era uma novidade (e ainda é até hoje). Os primeiros sorrisos, a descoberta das mãos e dos pés, as primeiras tentativas de se comunicar, as primeiras vezes sentadas, e todas essas coisas de bebês.
Depois o cordão foi se soltando... deixou de mamar no peito, vieram os primeiros passos, as primeiras palavras (papai, é claro!), a primeira separação...
E existe separação? Só se for de corpo mesmo! Porque a cabeça... Eu lá nos Estados Unidos e imaginando se a pessoinha tinha se alimentado. Se estava chorando sentindo minha falta... mas chorando estava eu! É uma saudade que chega a doer fisicamente. O peito fica apertado e aperta tanto que sai lágrimas dos olhos.
Mas a pequena também é viajada. Nestes três aninhos de vida já conhece Brasília, Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro, Belém, Salvador, Espírito Santo, e outras cidades de Minas.
Mas se perguntar pra onde ela quer ir agora? Itabira!
Brincar na casinha dela com a Vó Keusa, andar de carro com o som “no talo” com o Tio Noção, desenhar com o Fernando, ir para o Bretas com a Tia Vânia, ir para o Real nadar com a Vó Conceição, tomar banho de balde com o Leléo, tratar dos passarinhos com o Vovô Edvar, fazer a Tia Ludy brincar com todos os brinquedos que ela levar, brincar com o Agros do Léo Pastel. E se o Tio Werlerson estiver lá? Aí não precisa de mais nada! É diversão garantida!
Acho que esse é o conceito de felicidade da minha filha hoje. Não é brinquedo caro, não é passeio, não é roupa de marca. É isso que a faz feliz. Estar cercada de pessoas que a amam e que fazem todas as suas vontades.
E pra mim felicidade também tem se tornado essas coisas simples: passar um final de semana inteiro dentro de casa com Ana Sofia e com o Bruno, descobrir um restaurante que tem um monte de bichinhos e brinquedos para levá-la, ver seu sorriso a cada descoberta, ver a pequena cheia de saúde, cada dia mais inteligente e independente.
Mas sempre existe uma sensação de que falta alguma coisa. O dever nunca está cumprido. Não posso parar nunca mais. Nem para adoecer estou tendo tempo. Gripe? Não me derruba mais. Dormir? É para os fracos! Descobri em mim uma força que nem eu sabia que tinha. Hoje entendo muito mais a minha mãe. E sei que você, Ana Sofia, só vai entender esse sentimento quando também tiver um filho.
Enfim, queria contar tanta coisa pra você, minha filha... Mas acabo de olhar no relógio e ver que são 23:30h. Há exatos três anos a bolsa estourou e começou uma vida nova pra mim. E amanhã começa um ciclo novo em nossas vidas.
Os dois aninhos mostraram pra gente que você já conhece milhares de palavras, já reconhece todas as letras do alfabeto, já escreve as vogais, já reconhece seu nome, já descobriu sentimentos novos como raiva e mágoa, já sabe das palavras de gentilezas, já viaja em fantasias...
E por falar nisso, às vezes temos uma Minnie por aqui, às vezes a Branca de Neve, outras vezes a Moranguinho. E o pai tem que se transformar em Mickey ou em Príncipe, eu em rainha ou bruxa ou a Uvinha. E, assim, a nossa casa vira um conto de fadas, ou o parque da Disney.
E os três aninhos? O que teremos de novidade? Tenho certeza que muitas alegrias, muita felicidade, muito amor, muita união da família, muitas descobertas...
O único desejo que tenho neste momento é que você, filhinha, seja muito feliz. E prometo que lutarei com todas as minhas forças para que você seja uma pessoa boa, humilde, inteligente, educada e que conquiste tudo que desejar.




















