terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Papai Noel tem Facebook?


Em todo shopping que a gente vai, Ana Sofia fica querendo enfrentar aquelas filas de fotos com o Papai Noel mas só para conversar com ele e pedir a tal da bicicleta.
Ontem ela pediu para ir de novo. Cansada, falei pra ela que o Papai Noel já sabia do seu pedido, pois até a carta ela já havia entregado. Daí ela disse:
- Mas ESSE daqui ainda não sabe!
- Mas tem muitos Papais Noeis? Não é um só, filha?
- Não, tem muitos. E o desse shopping ainda não sabe.
Cansada e desesperada pra ir embora, inventei:
- O Papai Noel que você entregou a carta colocou o seu pedido na internet, agora TODOS os outros entram no Facebook dos Papais Noeis e conseguem ver que você quer a bicicleta.
- Ah, é? Então eles vêem na internet? Tá bom...

Fomos embora todos felizes!
Espero que ela me perdoe no dia que ler e entender isso...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Garota esperta!


Às seis e meia da manhã...

- Mamãe, quando você era pequena você decidiu ficar grande? Você decidiu “virar” mãe?
- É filha. Eu sempre quis ser mãe.
- Ah, tá.
- Por quê?
- Porque eu queria saber.
- E você? Também vai querer ser mãe?
- Não. Eu vou querer ser criança mesmo!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A péssima experiência da curetagem

Como o Hospital Vila da Serra apagou a minha reclamação do mural deles, vou deixá-la aqui para que pelo menos meus amigos vejam pelo que passei e, se precisarem de atendimento lá, se preparem.Relato aqui minha insatisfação com o atendimento no bloco cirúrgico obstétrico do Hospital Vila da Serra no dia 10 de agosto de 2012:Com o diagnóstico de uma gravidez interrompida fui orientada pela minha médica a procurar o pronto atendimento obstétrico.Cheguei ao hospital às 8 horas da manhã e logo fui atendida pela ginecologista de plantão.Encaminhada para internação, realizei todos os procedimentos burocráticos e fui orientada a aguardar na recepção.Eu e meu esposo esperamos exata 1 hora até ser chamada a subir para o bloco cirúrgico.Subi às 10 horas juntamente com uma gestante e fomos levadas à sala de preparação de pacientes.Fomos orientadas a tirar toda a roupa, colocá-las em sacos plásticos e colocar camisola, touca na cabeça e sapatilhas nos pés, depois aguardar até sermos chamadas.Conversando, descobri que sua gravidez era de risco e que ela também estava ali para ser atendida pelo plantão, sem um médico específico a acompanhando.Enquanto permanecemos na sala, outras pacientes entravam, trocavam de roupa e logo eram chamadas a entrar, pois estavam acompanhadas por médicos particulares.A gestante que subiu comigo foi chamada 1 hora e meia depois!Perguntei à enfermeira se ainda demoraria muito a ser atendida pois estava de jejum, já começando a ter dor de cabeça, provavelmente de fome.Ela disse que o bloco estava muito cheio e que eu deveria aguardar.Pacientemente fui aguardando.Depois de aproximadamente meia hora apareceu um médico (se não me engano de nome Márcio Lúcio) e perguntou se eu era a "moça da curetagem". Disse que estava tentando arrumar uma maca para mim. Respondi a ele que eu já estava esperando a muito tempo, do jejum e da dor de cabeça. Sumiu.Depois de algum tempo voltou com a mesma desculpa da sala cheia, etc, etc.Falei pra ele que então eu ia embora, que não esperaria mais.Ele disse que não adiantaria eu ir embora, que eu teria que "resolver meu problema" e que se voltasse outro dia poderia ter que esperar da mesma forma.Às 13 horas entrei para a sala de recuperação do bloco cirúrgico. Fui colocada na última maca da sala e foi puxada a cortina que a separava da maca ao lado.O mesmo médico disse que introduziria um medicamento em mim para dilatar o colo do útero e foi logo levantando minha camisola e abrindo minhas pernas.Não teve o cuidado de colocar um outro pano em cima das minhas pernas para que eu não ficasse tão exposta.Chorei pela dor que senti quando o médico ajeitava o medicamento atrás do meu útero e pela humilhação de estar tão exposta e sendo tratada com tão pouco caso.Pediu que fosse colocado um soro em mim para resolver o problema da minha fome. Que se eu começasse a sentir alguma coisa era para chamá-lo.Perguntei quanto tempo ficaria ali e fui informada que o remédio demoraria aproximadamente 4 horas para fazer efeito.Passei, então, a tarde toda sozinha. Somente escutando (sem ver) o relatos das pacientes que estavam em recuperação e ouvindo o som de uma das salas de parto, com médicos pedindo para pacientes fazerem força e logo depois o chorinho dos bebês seguido dos parabéns às novas mamães.Em alguns momentos, a sala de recuperação parece um bar. Muita gente falando alto ao mesmo tempo, combinando de ir para um casamento, de beber muito, fazendo piadas sobre uma curetagem mal sucedida em que a gravidez prosseguiu e o amigo do médico tinha se tornado um aborto mal feito, etc, etc.Para um pessoa que perdeu um bebê tão desejado e estava ali para "retirar" o que sobrou dele, isso tudo foi uma tortura!Cheguei a pedir a enfermeira para abrir a cortinha que separava a minha maca das outras para que eu não me sentisse tão sozinha e não fui atendida.Ouvi várias vezes chamarem algum nome e pedir para a paciente levantar a mão para saberem quem era. Seria muito difícil identificar as macas para evitar tal constrangimento?Ouvi também algumas vezes dizendo que haviam documentos sem assinaturas dos médicos e procurando o carimbo dos mesmos para "resolver o problema". Será quem assinaria?No meio da tarde apareceu uma médica que identificou-se como Dra. Carol, disse que estava de plantão e que realizaria meu procedimento. Fez algumas perguntas e eu perguntei quanto tempo demoraria, se havia alguma previsão do horário que eu iria embora.Como ela respondeu que eu sairia somente a noite, existindo ainda a possibilidade de eu passar a noite no hospital, pedi que alguém avisasse ao meu esposo que estava esperando, sem notícia nenhuma, que o procedimento ainda demoraria.Por volta das 17 horas recebi um bilhete do meu esposo que iria na escola buscar minha filha para levá-la para casa e voltaria em seguida.Uns dez minutos depois uma pessoa da enfermagem foi até a minha maca e disse que me levaria a uma outra sala onde a cama era mais confortável e onde meu acompanhante poderia ficar comigo, mas outra pessoa disse que a sala de cirurgia já estava pronta e que eu deveria ser levada pra lá. Se existia esta primeira opção, por que não fui levada pra lá desde cedo?Mas, aliviada de já estar chegando ao fim o sofrimento, fui para a tal sala de cirurgia.Fui colocada na mesa e, simplesmente, deixada lá.Sem nenhum médico ou anestesista, nenhum cobertor, nenhuma informação.Houve um momento em que escutei uma auxiliar perguntando à outra se era ela quem iria acompanhar a "cureta" e ela disse que "era o melhor que estava tendo". Acho que fiquei lá sozinha, morrendo de frio, de 30 a 40 minutos.Houve um momento em que aconteceu uma queda de energia e logo depois uma auxiliar de enfermagem entrou na sala, com uma revista da AVON nas mãos, dizendo que era pra eu aguardar mais um pouco. E eu poderia fazer outra coisa?Perguntei onde estava a médica e ela disse que não sabia.Falei que era um absurdo, muita falta de consideração e respeito. Comecei a chorar de desespero, sentindo-me tratada como apenas uma coisa.A auxiliar disse que concordava comigo, que iria procurar de novo um médico e saiu da sala.Um tempo depois apareceu uma pessoa se identificando como da equipe de anestesia e, vendo-me chorando, pediu que eu ficasse calma, que tudo daria certo.Então eu disse que não estava preocupada com o procedimento, mas sim muito desapontada com tanta falta de respeito por ter sido abandonada naquela sala sozinha por tanto tempo.Ela disse que eu não estava sozinha, que as "meninas" estavam lá fora, que eu precisava me acalmar.Então, ela disse que me daria um medicamento para que eu me acalmasse, que ainda não entraria em sono profundo.Acontece que nem a vi tirando a seringa da mangueirinha do soro, apaguei e só acordei na sala de recuperação.Não sei nem quem fez o meu procedimento.Como estava sonolenta, não sei quanto tempo fiquei na recuperação.Quando fui levada ao apartamento (por volta das 20 horas), descobri que o mesmo só havia sido liberado ao meu esposo depois das 18 horas. Que ele havia passado grande parte do dia na sala de espera do bloco cirúrgico.Fui muito bem recebida pela simpática Solange, auxiliar de enfermagem do 4º andar, que deu algumas orientações para saída, um comprimido de Voltaren, ajudou-me a ir ao banheiro, pediu alimentação, entregou todos os meus exames e disse que eu somente poderia ir embora depois das 21 horas.Como o horário do jantar já havia terminado, demorou um pouquinho e depois chegou um lanche.Enquanto lanchava meu esposo foi procurar um atestado de acompanhamento pra ele e descobriu que meu sumário de alta não estava junto com os documentos e exames.Depois de algum tempo entregaram à ele o sumário de alta e o atestado de acompanhamento com o mesmo carimbo de uma médica e dois rabiscos (assinaturas) completamente diferentes. (????)Saí do hospital somente com uma receita de Tylenol para dor e um atestado de 7 dias.Nenhuma visita ou orientação médica.Tinha tantas boas referências do Hospital Vila da Serra que não pensei duas vezes antes de procurá-lo para resolver um problema tão delicado na minha vida.Para os profissionais que tiveram contato comigo neste dia, eu poderia ser apenas mais uma paciente, mas acho que mereceria e deveria ser tratada com mais respeito, humanidade e sensibilidade.Mesmo tendo um plano de saúde muito bom, senti-me o tempo todo como um paciente do SUS, como vemos todos os dias pela televisão.Não sei se volto ao hospital muito menos se o recomendo aos amigos.Relato tudo isso não esperando que o meu problema seja resolvido, porque não há mais jeito, mas na esperança que não aconteça com outros, pois, como assistente social e educada aprendendo que todas as pessoas merecem respeito, desejo que isso não se repita com ninguém. — em Hospital Vila da Serra

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

E na semana dos pais...

Perto da minha casa tem um posto da Petrobras que tem um papagaio como em muitos outros.
Geralmente, em datas comemorativas eles são fantasiados.
No natal de papai noel, na páscoa de coelhinho, etc.
Hoje no caminho da escola paramos no sinal perto do tal posto.
Ana Sofia estava quietinha na sua cadeirinha e de repente soltou essa:
- Por que o papagaio não está vestido de pai?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Como é que explica?

- Mamãe, porque Itabira fica tão longe?
- Sei lá, filha! Só Deus pra te responder!
- Mas Deus já morreu, né?
- ... É! (O que eu poderia responder?????? kkk)
- Então Ele virou estrelinha igual ao vovô, né? E foi para o céu??
Aí vem o pai pra completar:
- Ana Sofia, Deus é o DONO do céu!
- Ah, tá!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A reação da Sossô

Fui orientada pela pedagoga da escolinha da Ana Sofia a esperar um pouco para contar pra ela sobre o aborto. Disse que eu ainda estava muito abalada. Eu também não queria chorar na frente dela, mas como sou uma pessoa que não sei ficar escondendo segredos, sabia que não ia aguentar por muito tempo.
Foi só a pequena chegar da escolinha que logo veio alisando minha barriga e falou alguma coisa do bebê.
A chamei no meu quarto, sentamos na cama uma de frente pra outra e disse que tinha que lhe falar uma coisa muito importante.
Falei que fui ao médico e que na televisão dele, onde a gente vê a barriga, descobrimos que a sementinha tinha fugido.
- Acredita, filha? A sementinha não está mais na minha barriga! Fugiu!!!
Ela fechou a cara e disse:
- Mas eu vou ficar com saudade do Bruninho!
- Não, filhinha! Não era o Bruninho ainda! Era só uma sementinha que o papai do céu colocou na barriga da mamãe e que ia crescer ainda para virar o Bruninho. Agora a gente vai ter que rezar pra Ele mandar outra sementinha pra gente.
Levantou depressa, foi para perto da janela, olhou para o céu e disse:
- Papai do céu, manda outra sementinha pra barriga da mamãe, por favor? Obrigada!
Olhou pra mim e completou:
- Agora é só esperar uns dez minutinhos, tá bom mamãe?
Não teve jeito, morri de rir!
Tem filha melhor no mundo????

Desde então, tenho estado melhor. Ainda triste, mas seguindo a vida por acreditar que não era pra ser agora. Minha grande preocupação era a reação dela, como eu contaria, etc. Mas como eu sempre surpreendo-me com a Ana Sofia, as coisas ficam mais fáceis.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A dor da certeza

Infelizmente, as notícias não são boas.
Volto aqui sentindo-me na obrigação de informar à todos que tanto me deram força que as coisas não saíram como desejávamos.
Mas foi como Deus desejou. E como Ele sabe o que é melhor pra gente, o que tenho a fazer é agradecer os poucos dias de felicidade e o aprendizado que vou levar comigo pelo resto da vida.
Aprendi que não tenho o controle de tudo, que nem tudo pode "ser resolvido" e que a lei da natureza é perfeita.
Desde sábado tenho sentido fortes cólicas e o sangramento começou a aumentar e a vir num tom mais vermelho intenso. Igual a uma menstruação.
Ao mesmo tempo que tinha a consciência de que estava começando um processo abortivo, me apegava aos depoimentos de muitas amigas, parentes e até desconhecidas que conversaram comigo esses dias, dizendo que também tiveram sangramentos no início da gestação e que depois tudo deu certo.
Ontem passei o dia com um mau pressentimento e achei que estava conseguindo esconder isso do Bruno e da Ana Sofia. Ela, de vez em quando, sem dizer nada, vinha até mim, olhava nos meus olhos e me dava um beijo. Ele, disse que estava percebendo minha tensão e tentava acalmar-me.
Deitei para dormir e o sono não vinha. Até que uma hora o Bruno acordou, me abraçou e disse tudo ia ficar bem, que a gente ia passar por isso juntos. Desabei a chorar e falei pra ele que eu sabia que não estava tudo bem.
Quando conseguia dormir, acordava com a Ana Sofia me chamando, com um sono muito agitado.
Até que deu a hora de levantar e fui ajeitar as coisas para a volta às aulas da pequena. Merendinha e mochilas arrumadas fui acordá-la. Já sabia que não ia ser fácil. Todo retorno sempre tem muito choro, preguiça, etc.
A deixamos na escola e fomos ao ultrassom. Os dez minutos que esperei para ser atendida pareciam horas.
Quando finalmente deitei na maca, ainda restava uma pontinha de esperança de ouvir do médico que tudo estava bem e de ouvir um coraçãozinho guerreiro batendo dentro de mim.
Mas dois minutos depois de tentar entender aquela imagem, ouço o médico ditando para a assistente que não havia batimento cardíaco.
O fim deste sonho se transformou em lágrimas.
O médico disse que poderia haver algum problema com a formação do embrião e que a natureza, sábia, se encarrega de interromper a gestação. Mas até isso entrar na cabeça de uma mãe...
Enfim, chorei muito e fui para o consultório de uma médica que parecia um anjo na terra. Voz doce, compreensiva, muito carinhosa. Explicou tudo para mim e para o Bruno. Deu orientações, disse que já passou pelo mesmo problema e conseguiu me acalmar um pouco.
Quando ela foi me examinar, percebeu a glândula da tireoide um pouco aumentada e pediu uns exames. Disse que se o hormônio estiver alterado pode ter sido uma das razões do acontecido.
Vou me apegar nisso porque preciso de uma explicação lógica para tudo. Esse negócio de natureza é confortante, mas preciso saber a razão das coisas.
O próximo passo agora é esperar que o corpo expulse (não gosto desta palavra, mas não estou achando outra) sozinho. A previsão são de muitas cólicas e de um sangramento intenso. Caso isso não ocorra terei de me internar para fazer curetagem, o que não é nada bom, pois é um procedimento invasivo e que pode prejudicar uma futura gravidez.
Pra quem não queria ver sangue de jeito nenhum... agora a torcida é para que ele apareça o mais rápido possível.
Depois dessa avalanche de informações começou a parte difícil: contar para as pessoas. Liguei somente para minha mãe e para minha sogra. Chorei de novo com elas que sempre são meus alicerces. Minha mãe está inconsolada, tadinha. Se eu pudesse poupá-la disso com certeza o faria, mas somos amigas na alegria e na tristeza.
Tirei o resto do dia para mim. Dormi um pouco e acordei com uma dorzinha de cabeça bem chata. Agora estou preparando-me para contar para Ana Sofia. Vou tentar inventar uma história e tentar não chorar na frente dela (o que vai ser bem difícil). Espero que ela não sofra, que entenda da melhor forma.
O que me alivia um pouco é saber que nem houve tempo de se formar um coraçãozinho. Que ele não bateu por um tempo e parou. Que não era o nosso Bruninho ainda, era somente uma sementinha que não vingou. Parece loucura, mas tenho que fantasiar um pouco para tentar aceitar.

Acabei de ler uma coisa que queria compartilhar:
"Não esqueço de quem me estende a mão. Minha memória não é curta. Apesar de eu esquecer nomes, jamais deixo passar batido o que fazem por mim. Porque aprendi que ajudar o outro é bonito. Mas ser grato é mais bonito ainda."
Não sei quem é o autor da frase mas vou "roubá-la" porque se encaixa perfeitamente pelo que eu estou sentindo.
Gostaria de agradecer cada palavra, cada oração, cada sentimento bom que recebi. Tanto quando eu soube da gravidez tanto agora nesse momento difícil.
O meu muito obrigada à todos.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A dor da incerteza

Há algum tempo, Ana Sofia tem cobrado de mim um irmão. É Bruninho pra cá, Bruninho pra lá. Já deixou alguns brinquedos, roupas, carrinho de bebê e o berço pra ele. Daí comecei a falar com ela da possibilidade de vir uma irmã, que não é a gente que escolhe, etc. Então ela disse que ia pedir ao Papai do Céu para colocar duas sementinhas na minha barriga, pra ter um irmão e uma irmã.
Quando eu e o Bruno resolvemos ter o segundo filho, fui ao médico, fiz todos os exames, comecei a tomar o ácido fólico e depois de muito pensar parei de tomar o anticoncepcional. Pensei que iria demorar a engravidar e depois da primeira menstruação a segunda não veio. Um semana depois da data prevista para ela vir fiz um exame de sangue e junto com o Bruno abri o resultado que deu positivo.
Fiquei nervosa, meio trêmula, mas muito feliz. A vontade era de gritar pra todo mundo, mas Bruno conteve minha ansiedade e resolvemos que iríamos na médica primeiro pra saber se estava tudo certinho para depois contar a novidade.
Consulta feita, começamos as ligações para os familiares que ficaram muito felizes. Mais tarde contamos pra Ana Sofia que, no alto de seus três anos e abatida por uma forte gripe, não deu muita bola. Ficou feliz, mas nada de festa. Alguns dias depois, já melhor da doença, começou a contar pra todo mundo na escolinha muito feliz. Fiquei aliviada.
Os dias foram passando e eu não sentindo quase nenhum sintoma de gravidez como eu senti na da Ana Sofia: um pouco de enjôo pela manhã e os seios doloridos.
A verdade também é que não diminuí meu ritmo de trabalho e peguei peso como se nada tivesse mudado na minha vida.
Na última quarta-feira fui para a formatura de uma turma de um curso que estava coordenando e comecei a sentir alguma coisa como se estivesse começando a menstruar. Durante a cerimônia minha cabeça ia longe... pensava que poderia estar perdendo meu filho naquele momento.
Fui ao banheiro e notei uma sujeirinha escura saindo de mim. Respirei fundo e continuei até o final porque sabia que o mais grave seria se estivesse saindo um sangue em vermelho vivo.
Chegando ao meu local de trabalho liguei para minha médica e não consegui falar com ela. Fui para a maternidade com meu amigo enfermeiro e fui encaminhada para fazer um ultrassom de urgência. O médico não quis dar muitos detalhes e pediu para fazer repouso e ligar para minha médica. Bruno chegou e passamos no plantonista que também disse que tenho que esperar mais duas semanas para fazer outro ultrassom. Neste próximo já teremos que ouvir o coração se estiver tudo certo. Com a orientação confirmada pela minha médica de que era pra fazer repouso e que o que só podia fazer era esperar, saí inconformada do hospital.
Com esta dúvida e insegurança me consumindo resolvemos que seria melhor que eu viesse para Itabira ficar com minha mãe e com Ana Sofia. Só sabia chorar, com uma sensação de culpa, impotência, incompetência.
Com as palavras de conforto do Bruno, colo da minha mãe e dormindo agarradinha na Ana Sofia fui acalmando.
Passei o dia na cama e fuçando a internet. Vi que muitas mulheres passaram por isso e que depois do repouso a gravidez evoluiu normalmente. Outras precisaram tomar um remédio chamado Utrogestan. Outras, infelizmente, abortaram.
Estou tentando manter a Ana Sofia a margem do que está acontecendo. Só falo que estou doente, que preciso ficar deitada e que não posso carregá-la. Às vezes quando estou sentada ela vem se achegando e pega um colinho. Mas, na maior parte do tempo, ela fica deitada do meu lado, me dando muito carinho. Hoje colocou uma cadeira perto da minha cama e disse que iria cuidar de mim, que se eu precisasse de alguma coisa era só pedir. Daí pedi carinho e ela veio fazer cafuné na minha cabeça.
A coitadinha poderia estar aproveitando muito suas pequenas férias e está aqui, "cuidando de mim", só Deus sabe o quanto isso me dói!
Hoje pela manhã saiu um pouco de sangue de mim e entrei em desespero. Tive uma crise de choro e, se não fosse minha mãe para acalmar-me, não sei o que seria de mim.
Fui para o hospital com minha sogra (minha mãe ficou com Ana Sofia) e encontrei um médico amigo que, ao saber da situação, encaminhou-me direto para o ultrassom.
Explicou que apesar da idade gestacional ser de 7 semanas, o tamanho pelo ultrassom está de 5 semanas. Que pode ser uma gravidez mais nova ou que a gravidez pode não estar evoluindo como deveria. Que com este tempo ainda não dá pra ouvir o coração nem ver muita coisa. Mas que o sangramento é grave e que tenho que me preparar para o pior. Sugeriu usar o tal medicamento, continuar em repouso e repetir o ultrassom daqui a dez dias.
Esta espera, esta incerteza, esta expectativa... isso vai consumir-me. O não saber é pior do que a certeza pelo negativo. Pensar em como vou contar pra Ana Sofia que o sonho acabou, pelo menos por enquanto...
Qualquer outra gravidez que houver depois, se esta não evoluir, vai ser tensa.
Tenho uma viagem programada para a semana que vem e vou assumir o risco de ir. Ficarei quietinha no hotel enquanto Bruno vai tentar distrair a Ana Sofia um pouquinho. Espero que assim o tempo passe um pouquinho mais depressa pra mim, porque ficar em casa de molho vai acabar com o meu emocional mais do  que já está abalado.
As pessoas tentam confortar-me dizendo que sou nova, que posso ter outros filhos, mas não tenho como explicar como isso dói. Não fisicamente, mas dói no coração. Já tinha imaginado tanta coisa pra este serzinho que nem coração batendo tem ainda. Fizemos planos, encorajei-me de novo a entrar na auto-escola, comprei mantinha... Já o amo tanto que a sensação de estar perdendo-o aos pouquinhos e não poder fazer nada é muito ruim.
Faria qualquer coisa para mantê-lo protegido aqui, mas agora só posso pedir a Deus que faça o que for melhor pra ele. E eu ficarei aqui, esperando a Sua vontade e pedindo à Ele que me dê forças para suportar esta provação.
À você, filhinha, tenho a dizer que a mamãe tentou e continua tentando te dar um irmãozinho. Se não for desta vez, espero que me  perdoe e que tenha um pouquinho mais de paciência para poder ter o seu companheirinho.
Espero voltar aqui em breve com boas notícias...



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sem chance!!!

Estou tentando ensinar a Ana Sofia a tomar banho sozinha.
Hoje deixei-a no banheiro, pedi para se ensaboar e fui colocar umas roupas pra lavar.
Logo voltei e perguntei pra ela:
- Já lavou tudinho?
- Já, mamãe!
E completou:
- Lavei os braços, a barriga, o bumbum e até a "pereca"! Cheira minha "pereca" pra você ver como está cheirosa!
- Tá doida, menina? Não vou cheirar isso aí, nem pensar!
Caímos na gargalhada!

Simples assim

Hoje estou meio borocoxô, então pensei alto perto da Ana Sofia:
- Nossa, estou com uma saudade da minha mãe...
Ela com um sorriso no rosto respondeu:
- A gente liga pra ela, mamãe!
Tentei explicar:
- Mas eu queria mesmo era um abraço...
- A gente manda um abraço pra ela também, uai!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Na Bienal do Livro...


- Que livro é este debaixo do braço, Ana Sofia?
- Vou levar!!
- Ah é? E você tem dinheiro para pagar?
- Cadê o papai? Cadê o papai?

quinta-feira, 22 de março de 2012

Dia das 'Muleres'

No último dia 8 de março trabalhei tanto que ao chegar em casa não estava nem lembrando mais que era o Dia Internacional da Mulher.
Estava dando o jantar para Ana Sofia quando ela, de repente, arregalou os olhos, abriu a boca e disse:
- Mamãe, hoje é dia das 'muleres'!! Parabéns!
- É mesmo filha! Parabéns pra você também!
- Não, mamãe! Hoje não é dia das 'muleres' pequenas!
- Mas você é homem?
- Não!!
- Então você é mulher! Parabéns! Me dá um abraço!
Me empurrou e disse:
- O abraço é só pra você, mamãe! O dia das crianças ainda vai demorar a chegar.

Depois de um tempinho arregalou de novo olhos e boca e soltou:
- Mamãe! As vovós são 'muleres'! A gente tem que ligar pra elas.
- Depois do jantar a gente liga então.

Como prometido, depois do jantar liguei pra minha mãe e passei logo o telefone pra Ana Sofia.
- Vovó, tenho uma coisa pra te contar!
(O que foi?)
- Hoje é dia das 'muleres'!!!! Parabéns!
(Parabéns pra você também, Ana Sofia!)
- Não vovó, hoje não é dia das 'muleres' pequenas! O dia dascrianças vai demorar a chegar!
(????)
Expliquei pra minha mãe do que se tratava e morreu de rir.

Depois pediu pra ligar pra vovó Conceição.

- Vovó, tenho uma coisa pra te contar!
(O que foi?)
- Hoje é dia das 'muleres'!!!! Parabéns!
(Parabéns pra você também, Ana Sofia!)
Gritou:
- Não vovó, hoje não é dia das 'muleres' pequenas!

E saiu resmungando pela casa.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Ela está crescendo...

Eu e Bruno acabamos de efetuar pela internet a compra da cama da Ana Sofia.
Acabou de cair uma ficha aqui. Ela já não é mais um bebê!
Ai que aperto no peito!
Por mais que eu já saiba disso, quando as coisas se concretizam, ficam muito mais claras.
Ainda não consegui imaginar o quarto dela sem o berço... vou esperar chegar a cama pra pensar nisso.
Três anos me debruçando ali...
Tira, põe, vira o colchão de lado, põe cortinado, tira cortinado, desce o estrado, sobe a grade, desce o estrado mais um pouquinho...
E aquelas marquinhas das primeiras dentadas na grade?

Demoramos um pouquinho a tomar esta decisão de tirá-la do berço porque queríamos aliá-la com a nossa mudança de apartamento.
Mas percebemos que já estava passando da hora.
E ela também precisa entender que já não é um nenezinho.
Na verdade ela já entende. Toda hora se levanta, estica toda e fala: "Olha como já sou grande!!"

Fato é que daqui a pouco as minhas preocupações serão outras.
Em vez de ouvir de madrugada um: "Mamããããee, vem cá!" Vou tomar altos sustos com uma pessoinha descabelada chegando na beirada da minha cama e dizendo: "Mamããee, quero fazer xixi!".

Vai ser um tal de colocar na cama e ela sair e vir atrás de mim...

Enfim, viraremos a página do berço e do mesmo jeito que aprendeu a andar, a falar, desmamou, foi pra escola, foi passar férias longe de mim... sobreviveremos!

Fato é também que ela já deu o bercinho para o irmão ou irmã que vai nascer (sei lá que dia, mas pra ela, com certeza, vai!) e então, para minha alegria, o berço não ficará longe por muito tempo.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Passando aperto

A pessoinha pega o controle remoto e aperta o  +  do volume com muita vontade.
Olha pra mim com uma cara de coitada e diz:
- Mamãe, onde que "DESAUMENTA"?

Tomando providência

Ana Sofia lá no quintal com a avó e prestando atenção em tudo ao redor.
Vê a cachorrinha da minha mãe deitada num travesseiro no sofá e grita:
-Mamãe, tira a Priscila do meu travesseiro!
A vovó fala:
- Pede a sua mãe para tomar uma providência!
- Mamãe, toma uma provi... uma promis... esse negócio aí que a vovó falou! 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Desespero

Quando decidimos que Ana Sofia iria passar a última semana de férias em Itabira, a pequena foi a primeira a pegar uma malinha, colocar uma boneca, um travesseirinho, uma fraldinha e colocou perto da porta já decidida.
Minha mãe e meu irmão se prontificaram a buscá-la e passamos a manhã esperando-os.
Almoçamos, terminamos de arrumar as malinhas, tomou banho, colocou mais uns brinquedos na mala e chamou para ir embora.
Fizemos alguns combinados (obedecer a vovó, não fazer pirraça, comer a na hora certa, etc, etc) e pulou do meu colo para entrar no carro.
Passei algumas recomendações ao meu irmão porque hoje a estrada estaria lotada com o final da férias.
Mais uma vez segurei o choro e despedi-me.
Com o coração apertadinho tentei ver tv e ler o jornal para distrair.
Começou a chover mais forte e fui fuçar a internet.
Pra quê?
No Twitter da Polícia Rodoviária tinha a notícia de um acidente entre um caminhão, um Fiesta e um Pálio. Pálio????
As pernas tremeram e fui logo pegando o celular para ligar pra minha mãe.
Desligado.
Tentei no do meu irmão.
Desligado.
Acordei o Bruno que me disse para acalmar porque o acidente era longe de onde eles passariam.
E eu acreditei?
Caí em prantos.
Fiquei pendurada no celular até que o sinal de chamada do celular da minha mãe me fez pensar: Graças a Deus!!
Ela atendeu e eu desesperada perguntei onde estavam.
Sem entender porque eu chorava tanto disse que já estavam entrando na cidade e que Ana Sofia dormia tranquilamente ao seu lado no carro.
Chorei compulsivamente. Desta vez de alívio.
Em meio a soluços expliquei pra coitada o que havia acontecido e ela só tentava me acalmar.
Demorei o tempo de um banho e mais meia hora para ficar calma.

Quando chegaram em casa minha mãe ligou pra mim e eu só ouvia os gritinhos da Ana Sofia ao fundo brincando com a cachorrinha dela.
Eram música para meus ouvidos.
Insistiram com ela pra falar comigo, e eu só ouvi: "Fala pra mamãe que eu mandei um beijo pra ela e um beijo pro Papai."

Mesmo de longe, foi o melhor beijo dela que eu recebi.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Imagine se não fiquei feliz?

Segunda-feira. Seis e meia da manhã.
Um grito vem lá do quarto da Ana Sofia:
- Mamããããããããeeee!
Chego lá e encontro a menininha com a cara preguiçosa e o cabelo todo desgrenhado.
- Que foi, filha? Tá muito cedo pra você acordar!
Abre um sorriso e diz:
- Mamãe, tô muito feliz com você!

Tem coisa melhor pra começar a semana?

Resultado de muito tempo com a vovó beata

Ana Sofia subindo as escadas do prédio correndo, de repente pára cansada e solta:
- Nossa Senhora passa na frente!!

Na igreja 2

Ana Sofia fica ajoelhada e de cabeça baixa um tempão, depois se levanta e fala:
- Mamãe, já rezei!
- Que bom, filha!
- Mas eu só sei rezar Ave Maria e o convosco, viu?

sábado, 14 de janeiro de 2012

Volta filhinha!

Tenho andado sumida daqui porque o motivo da minha inspiração também tem andado longe de mim.
Explico.
Morando em Belo Horizonte com o Bruno e a Ana Sofia e o resto da família toda em Itabira, às vezes vejo-me obrigada a pedir um help para as vovós lá do interior.
Tá bom. Não é às vezes. São muitas vezes.
Quando podem, uma delas vem para cá para ficar com a neta para eu e o Bruno podermos ir à algum compromisso social.
Desde que a pequena nasceu nunca tive coragem de contratar uma babá para ficar com ela em casa.
Deixamos de ir à muitas festas, barzinhos e baladas por não ter com quem deixá-la.
O máximo que fizemos foi deixá-la na escolinha, que também era um hotelzinho.
Enfim, tô contando isso tudo porque as férias escolares chegaram. E com elas nosso dilema.
Bruno trabalhando e eu (graças à Deus!!!) também.
Na escolinha tem colônia de férias? Claro que tem! Mas nas férias vou mandar minha filha pra escola? Claro que não!!
Solução: passar férias com a parentada em Itabira.
E o coração de mãe? Cheio de preocupações: se ela ia sentir minha falta, se ia dar trabalho, se ia se alimentar direito, se ia adoecer e eu não estar por perto, se ia pedir pra voltar no meio da semana...
No final das contas eu que senti quase tudo isso!
No primeiro final de semana que vim embora e a deixei lá, tive que ser amparada pelo Bruno de tanto que eu chorava. Minha sogra teve que sair com ela de casa pra ela não me ver naquele estado.
Sofri, sofri, sofri... Chegar em casa e estar aquele silêncio... não foi nada fácil.
Durante a semana meus amigos no trabalho viviam me consolando.
Ligava na casa da minha mãe e a pessoinha nem queria falar comigo.
Mas tinha notícias de que estava tudo bem.
Quando conseguia falar com ela a atrevidinha dizia que não estava com saudade nem que queria vir embora. Aff!
Fui quatro finais de semana seguidos. E a cada vinda sofria um bocado.
Perto de chegar a hora de ir ficava muito ansiosa, com vontade de recuperar toda a semana.
E a cada reencontro era a maior alegria. Aproveitei cada segundo dos sábados e domingos.


Nesta semana precisei trabalhar no sábado, e não ia pra Itabira.
Mas como Deus ouve o coração das mamães, Ele tocou no coração das vovós e elas decidiram trazê-la para mim. Meu coração se encheu de uma alegria sem tamanho.

Nestas semanas tenho voltado do trabalho pelo caminho que ela pega aquelas florzinhas de soprar.
Lembra? http://sermaedaanasofia.blogspot.com/2011/05/florzinha-de-soprar.html
Como tem chovido muito, não tinha nenhuma florzinha sequer.
Mas no dia que recebi a notícia de que a boa filha tornaria ao lar, abriu um sol durante todo o dia.
Quando passei pelo "nosso" caminho percebi que haviam aberto dezenas de florzinhas de soprar.
Meu coração bateu mais forte de novo.

Pensei baixinho: Volta, filhinha! Até as florzinhas estão esperando por você!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Na igreja...

Todo mundo em silêncio e ela solta:
- O cabelo daquele Jesus é doido, né mamãe?
- É Ana Sofia, mas fala baixinho.
E completou:
- Olha! Ele tá de roupão!!!